A gente tem vivido momentos dificeis, acho que pra todo mundo,os valores estão invertidos...ser feliz não é tão fácil e parece que o mundo quer que a gente seja infeliz!!!
Estórias de amor acontecem todos os dias...novas paixões, antigas paixões que o tempo traz de volta...o amor deixa a alma de gente leve...uma amiga chama essa felicidade da paixão de botox da felicidade...a gente fica com aquela cara de sorriso o tempo todo.
Estar apaixonada é bom...estar em estado de paixão é muito bom...mesmo quando a paixão é só sua...quando a estória não tem dois lados...ainda assim é bom.
A gente se sente viva de novo...aquele torpor vai embora e todo mundo percebe o tal botox da felicidade!!!
E quando essa paixão não pode acontecer???
Fica sim o vazio de não se render á tudo o que uma paixão pode oferecer, mas fica uma coisa boa também...de se perceber que a gente ainda se faz apaixonar...desperta paixão nas pessoas...
Uma estória sem final...uma estória inacabada pra sempre, mas que deixa um frescor, uma leveza...uma felicidade!!!
Minhas amigas estão sofrendo todo o oposto dessa felicidade...estão sofrendo, chorando...o amor virou ódio pra uma e uma grande decepção pra outra...duas queridas amigas desiludidas, vendo a sua vida arruinada...e eu...o que posso fazer??? O que eu fiz hoje, dei um abraço bem forte, me fiz presente no sofrimento delas sem precisar dizer nada...
Dor do amor...dor do desamor...é sempre a mesma dor...e dá sim pra superar...depende de como você olha pra essa dor...com olhar de entrega...ou com olhar de tenho que continuar.
Com certeza prefiro o olhar da batalha...o olhar de continuar vivendo e lutando pra ser feliz...amor vai e vem, paixões também...a gente sofre pra caramba, acha que não consegue mais se levantar e aí um belo dia...passa...a dor, a mágoa...tudo passa.
E a gente ama de novo, se apaixona de novo...às vezes pela mesma pessoa, outras vezes por aquela pessoa que sempre esteve ao seu lado...aquele vizinho, aquela colega de trabalho...e a paixão vem, e é só ser feliz...naquele momento, naquela estória.
Li um texto em um Blog e eu amei...e vou postar pra compartilhar...É essa a estória!!!
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer —eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegida, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Peixes. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecida. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
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